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Magia Mental

Símbolos são como âncoras que seguram os barcos da imaginação nas águas profundas do inconsciente. Imaginá-los e tentar senti-los, compreendê-los, gera profusões de imagens, que são os sinais deste inconsciente transmitindo mensagens do Akasha para os corpos sutis, que captam cada parte, cada frequência que lhe é direcionada. Meditações intencionais na Cabala Sephirótica ou Qliphótica, deslocamento paisagístico (viagem mental ou criação de cenários literários), voo da águia (experiência xamânica de apoteose), descida ao abismo (experiência de auto-descoberta pelo enfrentamento das sombras internas), invocação, etc, são exemplos de técnicas que dependem puramente da vontade, da intenção de uma mente direcionada.

Imagem: El poder de la mente, Hazlodiferente.com.

Sem aparatos, sem cerimônias ou fôrmas ritualísticas, a magia pode se expressar poderosamente somente com base em um bom desenvolvimento magístico, equilíbrio energético, controle emocional e mental, boa visualização, capacidade de entrada em gnose e descondicionamento cultural, espiritual e egoico. Estes símbolos podem ser empacotados e compreendidos em um espectro maior, pela correspondência metafórica assegurada pelas leis herméticas.

 

Sigilos não simbólicos

A teoria dos sigilos supõe que a confecção de determinados símbolos, criados a partir da grafia de intenções, cria uma ponte entre o inconsciente e a realidade, burlando a auto-sabotagem gerada pela expectativa que o consciente em vigília cria nas pessoas. Essa ponte, porém, só é necessária quando existe uma diferenciação, uma dualidade e um condicionamento excessivamente dicotômico na mentalidade do magista. Com um treinamento intenso, é possível fazer com que uma vontade adentre poderosamente o inconsciente, sendo a ponte a própria indiferença sobre o resultado da intenção.

O magista pensa em algo que ele quer, mas sem verdadeiramente esperar aquilo ou condicionar qualquer nível de satisfação a ter ou não ter seu desejo realizado (um estado que Austin Osman Spare denomina de neither-neither, algo como, nem-querer-nem-não-querer). Com essa capacidade, é possível gerar os mesmos efeitos de sigilos pela mentalização da intenção uma única vez, como um tiro de arma de fogo, em que a bala voa para a escuridão sem nunca mais ser avistada. Mas acertando em cheio seu alvo.

“O plano mental que precisa ser ligado é como uma grande torrente de consciência ou de substância consciente, e de um lado a outro desta torrente, o antahkarana tem de ser construído. Este é o conceito que está por trás deste ensinamento e por trás do simbolismo do Caminho. Antes que um homem possa trilhar o Caminho, ele próprio tem de tornar-se o Caminho. É da substância de sua própria vida que ele precisa construir esta ponte arco-íris, este Caminho Iluminado. Ele tece-o e o ancora tal como a aranha tece um fio ao longo do qual pode viajar”. — A Doutrina Secreta, Helena Blavatski.

Segundo a doutrina teosófica, os 7 corpos são inerentes da nossa consciência, mas temos de construí-los a partir da experiência direta. O corpo causal (equivalente ao sexto corpo, ou Bodhi), é onde expressamos nossa máxima ligação, corpo, mente e alma. Uma concentração e uma evolução significativa da capacidade de visualização, mentalização, evocação e invocação, meditação e criação, pode nos conectar poderosamente com essa expressão do nosso corpo sutil, e gerar resultados diretos da nossa vontade na realidade, ainda que não expressos categoricamente.

Imagem: corpos sutis e chakras — Xedex Energy.

No Novo Testamento, esses desejos são chamado de “murmúrios inexprimíveis”, que o Espírito Santo capta dos nossos corações e realiza sem que precisemos pedir, apenas pela força potencial de fé que o fiel cultiva frequentemente. Um magista que se foca na base de treino mágico e tem algum hobby que ama e não sabe como transformar em prática profissional, pode ter o prazer e a surpresa de ver oportunidades surgirem neste sentido, mesmo sem exprimir esse desejo claramente ou transformá-lo num alvo em ritual mágico.

 

Corpo Mental

Segundo a Teosofia, o ser humano possui 7 corpos sutis, com manifestações em diversos planos, acessáveis com os variados níveis de consciência. Um desses corpos é o corpo mental, que acessamos sempre que imaginamos algo, que sonhamos consciente ou inconscientemente, ou nos deslocamos em estado alfa ou gnose, por planos imaginativos que se formam sozinhos, ainda que não estejamos em repouso. É possível visitar quaisquer reinos da existência com o corpo mental sem nem mesmo precisar de um treino muito intenso além da concentração e do equilíbrio dos chakras.

Imagem: Galeria Aura — Expo A Hora Mágica por Letícia Lopes — Pintura 5 — Paisagem ao Anoitecer.

 

Aura Sincrônica / Campo Mórfico Ressonante

Pessoas com os chakras muito ativos, energia mental, visualização ativa, conseguem gerar sincronicidades alheias. Coincidências são mais recorrentes e gera-se influencia no campo mórfico das pessoas fisicamente à volta, inclusive desconhecidos. Essa aura sincrônica faz com que o magista com um bom “condicionamento mágico”, perceba encontros inesperados, pessoas tendo insights, surtos de felicidade ou situações inesperadas para elas. Este conceito foi descrito por Rupert Sheldrake na teoria dos campos mórficos, e ele chamou este efeito de ressonância mórfica, que nada mais é “campos” ou “espaços” etéricos que geram “bolsas” de sincronicidade, encontros inesperados, coincidências quase inconscientes que estimulam as mesmas ações em determinados espaços, ainda que separados por tempo e distância. Isso explica muito sobre como a antropologia se dá, como a cultura é reproduzida ligando as pessoas em padrões e comportamentos ainda que por centenas de anos e gerações e gerações diferentes umas das outras.

 

Auras e Cores

O conceito de aura tem origem como um termo em latim, mas toma tonalidades variadas em relação às diversas culturas que tratam da energia incognoscível. Walter Benjamin, filósofo da escola alemã de Frankfurt, e um dos estudiosos sobre cultura e antropologia mais proeminentes do século XX, dizia que tudo o que empreendia esforço e atenção direta e artesanal, gerava uma aura. E tudo o quanto existia era dotado dessa aura. Assim, nossa mente é capaz de evocar sua capacidade para acessar a aura dos lugares, coisas, situações e sentimentos, gerando sensações totalmente originais e nos transportando visivelmente para outros mundos. A arte é a reprodução máxima da aura que sentimos em nós, transmitindo a emoção de elementos totalmente intrínsecos à nossa individualidade no universo.

Imagem: representação fotográfica da aura, por Halo Auragraphic.

A associação de cores a aspectos simbólicos pode gerar influências daqueles aspectos quase como um feromônio, um aroma, que abarca e abrange o espaço onde essa aura se propagar. Uma pessoa devota a Afrodite, por exemplo, pode associar uma cor rosada à influência de seus aspectos arquetípicos, e com a imaginação e visualização dessa aura, fazer com que à sua volta se deem circunstâncias relacionadas com essas energias. Como pessoas mais belas e convidativas, olhares e interesses sexuais, uma sensação de admiração alheia direcionada a si. Carisma natural. Isso pode se estender a quase todo tipo de correlação cor / símbolo / significado.

 

Benzedeiras / Curandeirismo

Uma das formas de magia mental mais antigas é a do curandeirismo ou o benzimento. Uma intenção é direcionada e por meio simples e direto do uso do poder natural, é realizado um resultado, um efeito curativo na pessoa, no alvo ao qual este poder é ativado. Isso é muito antigo, e desde as culturas mais primitivas, com as ações de abençoar ou amaldiçoar, procedimentos simples como o pronunciamento de certas palavras, alguns movimentos e muita intenção mental, os campos mórficos podem ser movidos como elástico. A fé estrutural de uma velha benzedeira pode ser muito mais sólida e intrincada do que o mais pomposo ritual cerimonial puramente utilitarista de um magista sem intensidade e sem paixão.

Imagem: Benzedeira, por Pure People Pinterest.

Otimismo / Pessimismo

Estes dois comportamentos mentais são essenciais na composição da massa mágica que forma os resultados intencionados. O pessimismo é um bloqueio natural, mas ao mesmo tempo uma forma de evitar decepções e frustrações, um salvo-conduto para a fragilidade da fé. O otimismo é um impulsionador para reconhecer as melhores coisas, mas uma ótima forma de se frustrar ou se decepcionar quando as coisas contrariam as expectativas. O estado mental ideal é o meio termo, é acreditar fria e secamente, a mesma fé que se tem no frio quando os ossos doem, ou a fé que se tem na morte quando se perde um ente querido, um otimismo duro e cinzento. O pessimismo é a não-expectativa, é a resignação, a ação foi feita, não interessa o resultado, é irrelevante, independente da minha vida.

Este estado, o neither-neither, é o maior impulsionador mágico que existe.

Por: Zero

Referências: Helena Blavatski — A Doutrina Secreta; Rupert Sheldrake — Morphic Resonance; Walter Benjamin — A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica.

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