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Poções: Introdução

A palavra poção vem do latim “potionis”, que significa “bebidas”; no entanto, com a mescla de culturas, este termo passou a abranger qualquer tipo de preparado mágico, líquido ou não.

Diversas poções são citadas em muitos grimórios, e mesmo na Bíblia. Em uma roupagem mais contemporânea, é comum vermos em jogos, filmes e desenhos poções que incrementam vitalidade, força e poder. Nesse caso falamos das poções próprias para a ingestão, onde seus atributos químicos e energéticos são explorados para atingir o efeito desejado.

Em seus preparos, os ingredientes são selecionados de acordo com o objetivo do magista, podendo ser de origem animal, mineral e vegetal. Na antiguidade, muitas poções levavam ingredientes de origem animal, que por descuido apodreciam e adoeciam seus usuários, até que com o tempo estas foram se tornando mais herbáceas e não tão fatais quando ingeridas. Sendo assim, os ingredientes de origem vegetal são os mais comuns. Pode haver associações dos ingredientes com correspondências planetárias e/ou elementais, fases da Lua, estações do ano (geralmente por aqueles que celebram as passagens das mesmas, como no caso da Wicca), divindades, entidades, algumas vezes estando vinculadas a uma pessoa específica.

Apesar de o foco deste texto serem as poções em si (em veículos aquosos ou oleosos), serão descritos também pós e incensos, que podem ser convertidos em poções pela mistura com líquidos, utilizados de forma seca em rituais, ou utilizados em patuás, saquinhos fechados carregados junto ao corpo ou dispostos no altar.

Este é o primeiro de quatro artigos. Nesta primeira parte, serão abordados os aspectos teóricos e práticos gerais das poções, pós e incensos. Nas outras três, são explicados alguns ingredientes e fórmulas com foco no Reino Mineral, no Reino Vegetal e no Reino Animal. Os ingredientes podem ser re-significados e os métodos podem ser adaptados conforme as preferências do magista, pela sua própria sensibilidade do que faz ou não sentido dentro de suas práticas.

Cabe ressaltar que muitos dos ingredientes descritos podem ser tóxicos ou causam efeitos adversos no corpo, portanto não é recomendado que as poções sejam ingeridas, a menos que todos os ingredientes utilizados sejam comestíveis, e sua combinação não gere compostos indesejados.

Magia e Ciência

Durante toda a sua existência, o ser humano tem buscado conhecer cada vez mais o mundo em que vive. Observações do céu proveram uma forma eficaz de navegação e localização, enquanto o mapeamento dos ciclos naturais forneceu conhecimentos sobre a melhor época para se plantar e colher grãos. Da mesma forma, observando os animais, o ser-humano aprendeu sobre alimentos, remédios e venenos, e por repetição, tentativa e erro, pôde se apropriar desta sabedoria.

O advento da ciência Exotérica (sabedoria sobre o mundo externo) como algo separado da sabedoria Esotérica (sabedoria sobre o mundo interno) permitiu que cada uma das duas fossem aprimoradas em separado, e a ciência pôde trazer para seu campo de estudo muito do conhecimento milenar que havia sido compilado por diversas culturas. As Etnociências passaram a buscar a absorção do conhecimento popular, estruturando em sua própria linguagem o que já vinha sendo considerado pelos Antigos, e entendendo em seu próprio arcabouço os princípios por trás de cada fato.

Um exemplo interessante dessa absorção dos conhecimentos nativos pode ser encontrado no histórico de descoberta dos Ácidos Carboxílicos pela Química Orgânica. Com base nas aplicações dos macerados de formigas e nos efeitos de suas ferroadas, pôde ser isolado o Ácido Fórmico. Das raízes Valerianas e das cascas de Salgueiro, utilizadas ritualisticamente por xamãs e bruxas desde muito antigamente, foram extraídos o Ácido Valérico e o Ácido Salicílico, responsáveis pelas sensações que eram experimentadas nos rituais. Sendo assim, observa-se que alguns dos efeitos mágicos das plantas (sobretudo os químicos e biológicos, mas ainda não os físicos e sutis) já foram compreendidos de forma científica, e outros continuam sendo estudados.

 

Atuação dos compostos

Alguns compostos atuam no Plano Material, como as pedras que proveem atrito, os diamantes que cortam metais e vidros, e as substâncias que se encaixam em receptores presentes no corpo humano, causando alterações biológicas: curando doenças, aumentando a imunidade, diminuindo a pressão e aliviando dores. Outros compostos atuam nos Planos Energético e Sutil. Nestes casos, que ainda não foram tão amplamente estudados como os de atuação Material, a influência se dá por meio de frequências eletromagnéticas (por exemplo, a radioterapia), ou de energias sutis (estas últimas sequer mensuráveis pelos equipamentos existentes).

A proximidade entre um receptor humano e o padrão eletromagnético correspondente pode ser capaz de ativá-lo mesmo sem a necessidade do composto em si, como demonstrado em alguns estudos de modelo chave-fechadura. Este seria o princípio do funcionamento da homeopatia, por exemplo, quando a água pode ser magnetizada sucessivamente com a polaridade dos compostos mesmo sem traços dos mesmos na composição final. Há ainda a técnica da transferência de fármacos por frequência, que permite a administração de frequências por meio de agulhas de acupuntura ligadas a um aparelho gerador de sinais. Estas técnicas ainda se encontram em fases iniciais de estudos no campo científico, e, embora já haja muitos relatos de sua eficácia, a compreensão dos mecanismos ainda é incompleta.

Compostos que atuam no Plano Material também possuem atuação energética e sutil, e Compostos que atuam no Plano Energético também atuam sutilmente, ou seja, há também uma atuação nos planos mais elevados (em ordem inversa de densidade). A atuação também pode ser influenciada pela distância, sendo que a atuação material necessita de contato físico (ex: bebendo-se a poção ou passando sobre a pele), enquanto a atuação energética necessita de proximidade (ex: colocar cristais sobre os Chakras, espalhados pela casa ou em torno de uma pessoa). Já a atuação sutil não possui limitações de distância, se processando nos planos mentais e espirituais (ex: uma poção pode ser derramada sobre a terra, e pós podem ser queimados em um caldeirão, à distância).

De qualquer forma, o foco em resultados independe dos métodos serem compreendidos de forma Exotérica ou Esotérica. O que funciona pode ser utilizado, e neste sentido a utilidade das poções se desdobra em miríades de aplicações nos Planos Material, Energético e Sutil (incluindo Planos Espirituais).

Energias Arquetípicas e Entidades

A teria mais simples acerca do uso de poções é a de que servem para atrair os aspectos de determinado Mineral, Vegetal, Animal ou Entidade. Estes aspectos são, de forma geral, arquetípicos, e estudando-se os fatores que se deseja atrair é possível escolher os ingredientes adequados, ou vice-versa. Os arquétipos, por sua vez, podem ser analisados por meio de mitologias, fábulas, tradição cultural, ou mesmo de forma exotérica, como mencionado anteriormente (esta, por sua vez, em muitos casos possui correlação com as descrições esotéricas e aspectos relacionados).

Da mesma forma que os ingredientes estão ligados a arquétipos primordiais, podem também estar ligados a entidades específicas de algum panteão ou cultura. Neste caso, são escolhidos os ingredientes associados a algum Ser para se atrair os seus atributos, mesmo que estes não estejam diretamente ligados àquele ingrediente. A conexão se dará por meio da consagração da poção para aquela entidade. Quando isto for feito, devem-se observar também os ingredientes que são incompatíveis com cada entidade, para que não haja anulação do efeito final.

Anamnese

Anamnese: do grego anámnēsis, ‘ação de trazer à memória, recordação’.

  • Na filosofia platônica, significa a “rememoração gradativa através da qual o filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes que remontam a um tempo anterior ao de sua existência empírica”.
  • Na medicina, significa o “histórico que vai desde os sintomas iniciais até o momento da observação clínica, realizado com base nas lembranças do paciente”.

No caso das poções, além dos estudos sobre o uso de cada ingrediente e sobre os mitos relacionados a cada elemento, a anamnese pode prover informações valiosas para auxiliar na escolha das matérias-primas e no preparo do produto. A meditação sobre cada ingrediente, sentindo-se suas energias e visualizando-se sua impressão no campo etérico, pode indicar os usos mais adequados ou mesmo a preferência entre mais de uma opção. Há uma conexão com a ‘mente’ do mineral, vegetal ou animal posto à frente do magista, que permite avaliar suas propriedades no sentido oculto.

Essa ação de sentir as necessidades do momento também pode ser realizada quanto ao paciente ou à situação para a qual a poção se destina, e no caso de um paciente a anamnese no sentido médico também é de grande ajuda. Visualizando-se a situação atual ou a situação desejada, é possível que o magista obtenha informações ou intuição sobre quais ingredientes usar.

Veículos

É chamado de veículo o condutor da energia dos ingredientes, podendo este exercer ou não funções na receita. Geralmente é usada água ou algum óleo vegetal, mas há quem use fluidos corporais, óleo mineral e álcool, como no caso das tinturas.

  • Água: o mais neutro dos veículos, pode ou não ter associações energéticas de acordo com o local, forma ou data da colheita.
  • Água de Chuva: é considerada uma fonte neutra. Em dias de tempestade, a água da chuva é usada para energizar e trazer força.
  • Água de Cachoeira: traz elementos de cura, força e prosperidade.
  • Água de Mar: imbui a poção com força, limpeza e movimento.
  • Água de Rio: traz aspectos de movimento, ação e recomeço.
  • Água de Nascentes: imbui a poção com fertilidade, crescimento e cura.

Assim como a fonte pode variar, a associação a divindades que habitam certos locais (por exemplo, genii loci, os gênios dos locais) também pode gerar influência sobre as propriedades energéticas do veículo. Este é caso, por exemplo, de poções de amor e beleza feitas com água do mar, que é associado a Afrodite.

  • Óleos: são aplicados quando se pretende usar poções para untar velas, instrumentos ou mesmo a pele, e tem a vantagem de ser melhor absorvido, ao contrário da água, que escorre e evapora com facilidade a depender das circunstâncias. Os óleos são muitas vezes escolhidos de acordo com as funções e correspondências de cada óleo.
  • Azeite de Oliva: o mais popular entre os óleos, é associado a Atena por ter sido um presente da Deusa aos humanos. Seu uso é vasto, sendo usado para diversos fins. Aplicado como base para óleos ritualísticos de consagração, intuição, limpeza e prosperidade.
  • Óleo de Coco: é associado a limpeza e proteção.
  • Óleo de Abacate: considerado afrodisíaco, o abacate está associado ao amor e à beleza.
  • Óleo de Milho: como a maioria dos grãos na antiguidade, é associado à prosperidade, fartura e abundância.
  • Óleo de Uva: obtido a partir das sementes de uvas, tem caráter mais neutro e seu aroma é menos proeminente, o que faz com que interfira menos com os outros ingredientes que serão utilizados.
  • Óleo Mineral: considerado neutro, pode ser aplicado em diversas questões, e é dispensado por muitos por não se tratar de um óleo natural.
  • Óleo de Infusão: se trata de um óleo na maioria das vezes vegetal em que são infundidas ervas e plantas de diversos tipos. Suas propriedades variam de acordo com a escolha dos ingredientes nele infundidos.
  • Álcool: usado no preparo de tinturas, extratos herbais concentrados feitos com plantas desidratadas. Seus usos são diversos e podem ser tanto mágicos como medicinais. Diz-se que o álcool preserva melhor as propriedades magnéticas dos ingredientes, fazendo com que a efetividade das poções dure por mais dias. Preferencialmente é utilizado álcool de cereais, conhaque ou outra bebida alcoólica.
  • Resinas e ceras: resinas de árvores e ceras também podem ser usadas como veículos, devendo ser aquecidas e misturadas já em estado líquido aos ingredientes. Parafina de vela derivada de petróleo também pode ser utilizada, mas produtos naturais como cera de abelhas são preferíveis.

Pós

De poeira a sal grosso e pó de pirita, os pós são muito usados na confecção de amuletos, queimados, assoprados ao vento ou jogados ao chão com o intuito de proteger algum local, proteger ou até mesmo amaldiçoar.

Quanto mais fino for o pó, mais facilmente é carregado pelo vento, sendo mais comum o uso de pós finos quando se deseja assoprá-los, ou no caso de um pó para banimento que deve ser jogado sobre seu alvo. Em contrapartida, quanto mais granuloso e grosso for o pó, maior é o tempo em que permanece inerte, sendo empregado em feitiços de proteção, maldições e qualquer outro intento que dependa da energia dos ingredientes por um maior período de tempo. Pós de proteção jogados ao redor de algum lugar devem ser regularmente renovados para que a continuidade e nitidez do desenho se mantenham, como no caso de um círculo mágico.

A granulosidade do pó pode variar em uma maior faixa quando este é feito para queima, e neste caso ele pode ser misturado a carvão de narguilè, conformado na forma de um cone, ou misturado a goma arábica e colado em um palito de bambu, no formato de incenso.

Há quem use cinzas, cascas de ovos, pedras e cristais (com extrema cautela, visto que a inalação de partículas minerais pode ser fatal para pessoas e animais domésticos), poeira de lugares específicos, entre outros. No caso da queima, deve-se verificar se não haverá a liberação de fumaça tóxica, como a pirita, que emite enxofre, ou mesmo alguns tipos de carvão, que emitem alto teor de monóxido de carbono.

 

Minerais

O uso de ingredientes minerais tem as mesmas bases de funcionamento da cristaloterapia e da magnetização, assim como terapias baseadas em frequências. Para cada ingrediente, pode ser entendido o caráter de sua vibração, o que permite a escolha dos que são mais adequados a cada intenção.

Um cristal deixado em água por algum tempo pode dar origem a um elixir ou “água de cristal”, mas deve-se tomar cuidado com minerais que se dissolvem ou geram substâncias nocivas em contato com a água. Além dos cristais propriamente ditos, podem ser utilizados pós, terras, pigmentos, sais e metais.

Vegetais

Os principais ingredientes utilizados na Magia Natural são as ervas e as madeiras, e seu estudo tem sido o foco de muitas gerações de bruxas e herboristas. As substâncias contidas em cada vegetal foram mapeadas e estudadas mais detalhadamente pela alquimia natural, que deu origem à química orgânica, porém sua ação não fica restrita aos fenômenos químicos, e nas poções podem ser aproveitados aspectos energéticos e espirituais.

Dentre os ingredientes utilizados, temos plantas inteiras, raízes, caules, madeiras, flores, frutos, pólen e folhas. Neste campo também serão citados os fungos, que, embora cientificamente façam parte de outro Reino (Fungi), foram historicamente classificados de forma mais próxima aos vegetais, devido a suas características morfológicas.

 

Animais

Diversos ingredientes de origem animal foram utilizados em práticas mágicas ao longo da história. Desde a leitura divinatória em entranhas de animais até o sacrifício ritualístico, o poder oculto de aves, mamíferos e outros bichos pode ser aproveitado por meio das mais variadas técnicas — incluindo a confecção de poções e garrafadas. A necromancia e a tanatomancia (práticas mágicas usando materiais de cadáveres humanos ou animais) derivam seu poder da conexão com o submundo trazida pelos ingredientes.

Além dos animais irracionais, ingredientes de origem humana também são utilizados. No Vama Marg, por exemplo, as secreções vaginais de sacerdotisas são associadas a práticas específicas, e feitiços com gotas de sangue, unhas ou cabelos são citados em diversos grimórios, como o Livro de São Cipriano. Na Alquimia medieval, o sêmen era utilizado para a prática de criação de homúnculos, e um ingrediente retirado do corpo do Alquimista poderia programar um Golem para que este obedecesse.

Dentre os ingredientes, podem ser citados insetos, leite, pelos, penas, ossos, dentes, peles, secreções, menstruação, suor, saliva, urina e fezes. Os ingredientes de origem animal geralmente buscam trazer para a poção os poderes arquetípicos daquele animal, enquanto os de origem humana podem prover energia vital e/ou criar um elo entre a poção e a pessoa doadora dos fluidos ou partes.

 

Combinações

Os ingredientes dos três Reinos podem ser combinados entre si, e de fato alguns deles possuem uma classificação mista. Alguns ingredientes baseiam-se em vegetais digeridos ou manipulados por animais, (por exemplo o mel, produzido pelas abelhas a partir de conjuntos diferentes de plantas), e a terra com matéria orgânica pode ter propriedades diferentes dependendo do mineral e dos vegetais e animais ali incluídos.

 

Planetas

Na literatura ocultista em geral, podem ser encontradas correlações entre minerais, vegetais e animais e planetas, elementos e signos. Estas correlações podem ser aproveitadas para se estabelecer o melhor momento para preparo de uma poção, ou a forma de utilização da mesma.

Poções relacionadas a aspectos de Água podem ter base aquosa ou podem ser despejadas em rios para seu uso. Já aquelas relacionadas a Fogo podem ser aquecidas para ativação, ou mesmo utilizadas como incenso. No caso das poções de Ar, podem ser pós jogados ao vento, e no campo da Terra podem ser confeccionadas garrafas para serem enterradas.

A posição dos planetas no céu no momento do preparo ou da ativação de cada poção pode aprimorar os resultados, portanto pode ser vantajoso fazer o mapa astral dos dias pretendidos para esta atividade, e escolher-se o melhor dia, definindo quais energias irão atuar para potencializar o intento. A energização com a Lua também pode ser vantajosa, e escolhe-se uma fase adequada a cada objetivo — lua crescente para aumentar aspectos, minguante para diminui-los, lua nova para ocultação e lua cheia para materialização.

Preparo

Existem muitas formas de preparo, e a melhor forma depende da prática do magista e dos ingredientes escolhidos. Seguem abaixo os métodos mais comuns:

  • Maceração: aplicada quando se trabalha com ingredientes frescos. Juntam-se os ingredientes desejados ao veículo e gentilmente pressiona-se tudo com um pilão ou mesmo com as mãos até que os ingredientes pareçam difusos no veículo. Pode-se ou não coar.
  • Infusão: empregada no trabalho com ingredientes secos, como cascas de insetos, ervas desidratadas etc. Primeiro deve-se aquecer o veículo à temperatura desejada (a temperatura varia de acordo com o veículo e os ingredientes escolhidos) e então juntam-se os ingredientes. É comum que se deixe a mistura em infusão até que esfrie ou amorne para depois ser coada (ou não).
  • Mistura: sim, exatamente o que você está pensando, misturar tudo, só isso. É um método comum para pós e poções que levam apenas líquidos ou óleos essenciais.
  • Extração: a extração de compostos de uma mistura de ingredientes pode ser feita por meio de um solvente, como álcool ou água (a frio ou a quente). Neste caso, a mistura é macerada, filtrada, e posteriormente colocada para evaporar, até que apenas os princípios extraídos sobrem no recipiente. Também pode ser utilizado óleo, porém neste caso não haverá evaporação do solvente, se aproximando muito de uma infusão.
  • Arraste a Vapor: os ingredientes são macerados e misturados com água, que é levada à fervura, e o vapor é recolhido, trazendo consigo óleos essenciais e outros compostos — que se separam após o resfriamento. A coleta do vapor pode se dar em aparato próprio de condensação, ou usando uma panela com a tampa invertida para a fervura, com uma tigela dentro da mesma, no centro, onde pingará o vapor resfriado na tampa.
  • Magnetização: um método indireto e mais sutil para o preparo de poções é a magnetização do veículo (preferencialmente água) na proximidade dos ingredientes. Neste caso, é usado um frasco de vidro dentro de outro (um contendo os ingredientes e outro contendo água) ou um frasco com água é deixado à luz do Sol ou da Lua, simplesmente recebendo as vibrações.
  • Fermentação: algumas poções podem ser fermentadas, deixando-se que a mistura descanse até o surgimento de bactérias ou leveduras, ou adicionando-se o inóculo desejado para que isto ocorra. Desta forma, podem ser preparados vinhos e cervejas (adicionando-se leveduras ou fermento de pão) ou outras bebidas (por exemplo, kombucha), geralmente com algum teor de álcool e/ou gaseificação.

Após a preparação física da poção, é usual se realizar um ritual de ativação, pelo método escolhido pelo magista, para ativarem-se as funções do produto. Esta ativação pode se dar de forma simples, como a transferência de energia das mãos ou a exposição ao Sol ou à Lua por algum tempo, ou mais complexa, utilizando-se de cerimonial e proferindo-se encantamentos.

Uso

As formas de uso das poções são infinitas e variam de acordo com o objetivo e a vontade do magista. Podem ser usadas para desenhar símbolos, escrever, gotejar sobre a pele no intuito de proteger, atrair alguma energia específica ou causar ilusão, como no caso do glamoury ou glamour.

Poções à base de água na maioria das vezes são usadas na forma de banho, sprays e bebidas de diversos tipos, ou administradas na forma de gotas. São as mais comuns a serem lançadas sobre a terra, já que não atrapalham o crescimento de plantas e a depender de sua composição não poluem o solo. Já as poções à base de óleos têm as vantagens de serem melhor absorvidas pela pele, não evaporarem tão facilmente e não atrapalharem a queima de uma vela quando esta é untada para um fim específico. Boa parte delas é usada em unções, e, como citado acima, sobre a pele, para carregar alguma energia específica por mais tempo. Podem também ser usadas para consagrar objetos ou em aromatizadores de ambientes.

As poções também podem ser deixadas dentro de recipientes e posicionadas em locais específicos, como altares, ou então enterradas, carregadas junto ao corpo, queimadas, jogadas ao mar, etc. Os recipientes podem ser garrafas (como nas garrafas de bruxa), frascos, sacos de tecido (no caso das que são secas), caixas de madeira, caldeirões, taças, entre outros.

Por: Matt & RoYaL.

Referências: Laurie Cabot — O Poder da Bruxa; Thomas Karlsson — Qabalah, Qliphoth e Magia Goética; Scott Cunningham — O Livro das Sombras; Judy Hall — A Bíblia dos cristais; Editora Pallas — O Livro de São Cipriano; Kenneth Grant — O Renascer da Magia.

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